sexta-feira, 22 de maio de 2015

O trolha de Camarate

O trolha de Camarate,
que fuma o que parece ser erva-mate,
namora uma moça
que mora em Moscavide,
que curte um bacano de Sacavém
que namora uma filha do David
que mora para além
de Unhos, nas margens do Trancão,
e que não gosta de viver aí

Certo dia, o trolha de Camarate
cruzou o Trancão
para a ir ver a sua moça ao balcão
de um café da Bobadela
onde ela serve chá, copos de tinto
e cerveja à pressão,
mas nesse dia ela tinha ido à Portela
da Azóia encontrar-se com um cinquentão
do Bairro da Covina
que queria ter como amante
uma mimosa menina,
e o trolha de Camarate
acabou por casar na Apelação
com uma miúda do Catujal
que o deixou logo a seguir
por manifesta traição
nos meandros dum canavial
nas margens do Trancão
com uma garina do Estacal,
que fica depois de São João da Talha,
este mundo está muito mal,
deus nos valha

Os pais da miúda do Catujal
foram, entretanto, a Camarate ...

E a 316, que vinha de Santa Iria de Azóia,
chegou à Estação do Oriente,
fim do percurso, desembarcou toda a gente,
desembarcou também o telemóvel que vinha a contar esta história