- Momentos de uma viagem -
Nasce o sol no lago Léman
Nasce o sol no lago Léman,
nasce e espalha nas águas do lago
pós de um amarelo torrado
e o lago parece uma tosta untada de mel
que me apetece trincar
Nasce o sol no lago
e já o vejo a bailar com os picos
recheados de natas frescas
que reflectem sabores frios
preparados por forças gigantescas
Tenho o sol no lago Léman
e não sei se hei-de trincar
a tosta untada com mel,
se lamber os sorvetes e os batidos
que me são servidos em forma de picos,
em forma de montes brancos de neve
Nasce o sol
no lago Léman
e eu já não tenho fome
sábado, 31 de janeiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
A Primeira Grande Guerra do Século XXI vai começar assim
Ó Califa de todos os otomanos
que vives no palácio dos mil quartos
tão rico como as vilas dos romanos
onde eles pereciam de tão fartos,
chama a ti todos os maometanos
e repõe as fronteiras e os marcos
do glorioso império dos otomanos,
ó Sultão iluminado, dos fracos
não vais precisar, mas eis-nos a nós,
somos fortes, crentes e corajosos
Cruzaremos os rios e o mar,
os pântanos e os desfiladeiros,
lutaremos de pé, sem vacilar,
nas planícies, nos vales, nos outeiros,
seremos soldados sempre a lutar
com a fé e a força dos guerreiros
de outrora, cuja glória sem par
nos anima a sermos verdadeiros
conquistadores do nosso império
que era metade do planisfério
Venceremos logo os helénicos,
os cristãos que ocupam as nossas ilhas,
agora estão fracos e famélicos,
não guardam as suas formosas filhas
e os seus filhos estão esqueléticos,
não protegem as suas maravilhas,
os monumentos, os deuses olímpicos,
dão tudo por um prato de lentilhas,
entraremos na Trácia, em Creta,
em Atenas, a vitória é certa
Raptaremos a formosa Helena,
a Helena de Atenas, não de Esparta,
ficará cativa a Helena morena,
seguirá com a nossa força armada
até às portas da imperial Viena
que finalmente será conquistada,
logo após Belgrado e Veneza,
Sofia, Bucareste e Bratislava,
que viva a Europa dos otomanos,
que viva a Europa dos maometanos
Ó Califa de todos os otomanos
que vives no palácio dos mil quartos
tão rico como as vilas dos romanos
onde eles pereciam de tão fartos,
chama a ti todos os maometanos
e repõe as fronteiras e os marcos
do glorioso império dos otomanos,
ó Sultão iluminado, dos fracos
não vais precisar, mas eis-nos a nós,
somos fortes, crentes e corajosos
Cruzaremos os rios e o mar,
os pântanos e os desfiladeiros,
lutaremos de pé, sem vacilar,
nas planícies, nos vales, nos outeiros,
seremos soldados sempre a lutar
com a fé e a força dos guerreiros
de outrora, cuja glória sem par
nos anima a sermos verdadeiros
conquistadores do nosso império
que era metade do planisfério
Venceremos logo os helénicos,
os cristãos que ocupam as nossas ilhas,
agora estão fracos e famélicos,
não guardam as suas formosas filhas
e os seus filhos estão esqueléticos,
não protegem as suas maravilhas,
os monumentos, os deuses olímpicos,
dão tudo por um prato de lentilhas,
entraremos na Trácia, em Creta,
em Atenas, a vitória é certa
Raptaremos a formosa Helena,
a Helena de Atenas, não de Esparta,
ficará cativa a Helena morena,
seguirá com a nossa força armada
até às portas da imperial Viena
que finalmente será conquistada,
logo após Belgrado e Veneza,
Sofia, Bucareste e Bratislava,
que viva a Europa dos otomanos,
que viva a Europa dos maometanos
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
- Momentos de uma viagem -
Villach
Cheguei há pouco a Villach
e já sou de cá,
que simpatia de quem me acolhe,
estou maravilhado,
"chove, tome cuidado,
não se molhe"
bem haja Villach
Villach,
burgo pequeno, tem um rio e passagens
entre as margens,
encruzilhada de linhas de caminho de ferro,
daqui, os comboios podem levar-me
para Viena, Varsóvia, Munique, Zagreb,
Belgrado, Veneza,
também me levam para o Tirol,
mas que beleza
o Tirol em Lienz,
o Osttirol
Adeus, Villach,
prometo voltar
Villach
Cheguei há pouco a Villach
e já sou de cá,
que simpatia de quem me acolhe,
estou maravilhado,
"chove, tome cuidado,
não se molhe"
bem haja Villach
Villach,
burgo pequeno, tem um rio e passagens
entre as margens,
encruzilhada de linhas de caminho de ferro,
daqui, os comboios podem levar-me
para Viena, Varsóvia, Munique, Zagreb,
Belgrado, Veneza,
também me levam para o Tirol,
mas que beleza
o Tirol em Lienz,
o Osttirol
Adeus, Villach,
prometo voltar
domingo, 25 de janeiro de 2015
Acordar
Acordo, estou de acordo comigo,
com os outros e com os sonhos
que sonhei esta noite ao abrigo
do frio e da geada aos molhos;
vi tudo tão nítido, tão colorido
que até tive de fechar os olhos
a tão real recordação do ido
que ficou gravado nos folhos
do meu cérebro já corroído
pelo tempo e pelos escolhos
Acordo, escrevo que acordo
porque já não estou a dormir
e a sonhar que estou no porto
para embarcar para o porvir
que já veio, que é este corpo
que transporto e que me faz cair
e levantar; que anda direito, torto,
curvado; que me faz chorar, rir,
sangrar, e ai de mim se não acordo
com ele, ficarei para sempre a dormir
Acordo, estou de acordo comigo,
com os outros e com os sonhos
que sonhei esta noite ao abrigo
do frio e da geada aos molhos;
vi tudo tão nítido, tão colorido
que até tive de fechar os olhos
a tão real recordação do ido
que ficou gravado nos folhos
do meu cérebro já corroído
pelo tempo e pelos escolhos
Acordo, escrevo que acordo
porque já não estou a dormir
e a sonhar que estou no porto
para embarcar para o porvir
que já veio, que é este corpo
que transporto e que me faz cair
e levantar; que anda direito, torto,
curvado; que me faz chorar, rir,
sangrar, e ai de mim se não acordo
com ele, ficarei para sempre a dormir
sábado, 24 de janeiro de 2015
Uma oração
Subam, subam a este coruchéu,
de lá estão mais longe da terra
e mais perto da abóbada do céu,
admirem a beleza que ela encerra
Subam, subam a este minarete,
de lá podem ver esta multidão
coberta de preto e de verde,
ela está a rezar colada ao chão
Subam, subam aos picos destas torres
que têm no cimo luas ou cruzes,
aliviem assim as vossas dores
beijando o céu e as suas luzes
E rezem, e orem, e implorem
ao vosso Deus para abençoar
a vida, as flores, o ar, o homem,
o trigo, o sol, a lua, o mar
E que espalhe a paz e a harmonia
entre os homens de boa e de má
vontade, que pare esta sangria
de terror por amor a Ele ou a Alá
Orem e mirem as estrelinhas
no imenso firmamento a brilhar,
estão a conversar quietinhas,
ou estarão elas também a orar?
Subam, subam a este coruchéu,
subam, subam a este minarete,
orem de pé, ou curvados, com véu,
ou sem véu, a falar ou em falsete
Orem sob cruzes, ou sob meias-luas,
ou junto ao muro, mas orem pela paz,
pela harmonia, que parem as lutas
por Deus, elas só servem Satanás
Subam, subam a este coruchéu,
de lá estão mais longe da terra
e mais perto da abóbada do céu,
admirem a beleza que ela encerra
Subam, subam a este minarete,
de lá podem ver esta multidão
coberta de preto e de verde,
ela está a rezar colada ao chão
Subam, subam aos picos destas torres
que têm no cimo luas ou cruzes,
aliviem assim as vossas dores
beijando o céu e as suas luzes
E rezem, e orem, e implorem
ao vosso Deus para abençoar
a vida, as flores, o ar, o homem,
o trigo, o sol, a lua, o mar
E que espalhe a paz e a harmonia
entre os homens de boa e de má
vontade, que pare esta sangria
de terror por amor a Ele ou a Alá
Orem e mirem as estrelinhas
no imenso firmamento a brilhar,
estão a conversar quietinhas,
ou estarão elas também a orar?
Subam, subam a este coruchéu,
subam, subam a este minarete,
orem de pé, ou curvados, com véu,
ou sem véu, a falar ou em falsete
Orem sob cruzes, ou sob meias-luas,
ou junto ao muro, mas orem pela paz,
pela harmonia, que parem as lutas
por Deus, elas só servem Satanás
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
- Momentos de uma viagem -
Névoa em Copenhaga
Névoa alta em Copenhaga
e não se vê quase nada
do céu
e a névoa alta insiste em Copenhaga
e não se vê o céu,
nem de noite, nem de dia,
nem de madrugada
em Copenhaga
E há quem resista em Copenhaga
com névoa alta eterna e fria,
eu também resisto,
mas por pouco tempo,
deu-me a melancolia,
quero a luz do sol,
quero a luz da lua
das minhas terras do sul,
quero essas luzes,
mesmo quando brilham com frio
nas minhas terras do sul
E aí vou eu a descer
para o sul,
este norte sem montanhas e sem luz
faz-me doer,
e aí vou eu a descer para o sul,
ainda bem que é sempre a descer
Névoa em Copenhaga
Névoa alta em Copenhaga
e não se vê quase nada
do céu
e a névoa alta insiste em Copenhaga
e não se vê o céu,
nem de noite, nem de dia,
nem de madrugada
em Copenhaga
E há quem resista em Copenhaga
com névoa alta eterna e fria,
eu também resisto,
mas por pouco tempo,
deu-me a melancolia,
quero a luz do sol,
quero a luz da lua
das minhas terras do sul,
quero essas luzes,
mesmo quando brilham com frio
nas minhas terras do sul
E aí vou eu a descer
para o sul,
este norte sem montanhas e sem luz
faz-me doer,
e aí vou eu a descer para o sul,
ainda bem que é sempre a descer
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
- Momentos de uma viagem -
O pólo Norte
E o cavalo de ferro sobe, sobe,
vai pela estrada
que nos conduz ao grande norte,
e se a Terra não fosse
assim, redonda e levemente achatada,
e se não tivesse pólos,
e se não tivesse gravidade,
e se não tivesse estes solos,
ora verdes, ora brancos gelados,
ora planos, ora montanhosos,
ora precipícios, ora vales cavados,
e se não tivesse água, ar, nuvens,
e se não tivesse ... e se não tivesse ...
E o cavalo de ferro sobe e sobe
rumo ao grande norte,
pena é que não vá
até aonde eu quero ir,
até ao Cabo do Norte,
e eu quero lá ir porque ele está lá
e porque depois dele o norte
é só mar e gelo, o mar glacial
e o frio polar do pólo Norte
Sobe, sobe, ó meu cavalo de ferro,
leva-me até aonde puderes
O pólo Norte
E o cavalo de ferro sobe, sobe,
vai pela estrada
que nos conduz ao grande norte,
e se a Terra não fosse
assim, redonda e levemente achatada,
e se não tivesse pólos,
e se não tivesse gravidade,
e se não tivesse estes solos,
ora verdes, ora brancos gelados,
ora planos, ora montanhosos,
ora precipícios, ora vales cavados,
e se não tivesse água, ar, nuvens,
e se não tivesse ... e se não tivesse ...
E o cavalo de ferro sobe e sobe
rumo ao grande norte,
pena é que não vá
até aonde eu quero ir,
até ao Cabo do Norte,
e eu quero lá ir porque ele está lá
e porque depois dele o norte
é só mar e gelo, o mar glacial
e o frio polar do pólo Norte
Sobe, sobe, ó meu cavalo de ferro,
leva-me até aonde puderes
domingo, 18 de janeiro de 2015
A culpa é do arcanjo
O alvor ainda tardava no deserto
quando se vê uma luz forte e resplandecente
a descer do céu meio encoberto,
até parecia que o sol nascente
estava a nascer antes de nascer
Anunciou-se o arcanjo,
o arcanjo Gabriel,
- sou um mensageiro com asas de anjo
e desci a este bordel
que é o planeta Terra
para repetir a palavra de Javé -
Desta vez quem escutou o arcanjo
foi um guerreiro beduíno,
o arcanjo vestia um manto branco
e falou em árabe clássico,
já tinha esquecido o aramaico
E a palavra de Javé
foi novamente gravada e escrita,
continua a insistir na fé
em um só deus, o único que dá a vida
eterna a partir do dia do juízo final
para quem não se portar mal
E esta mensagem deu bem nas vistas,
mas veio provocar muita confusão:
cruzadas, guerras santas, conquistas,
terror, bombas, mísseis, barbárie, maldição,
e, pelos vistos, não há solução
Mas eu acho que há uma solução,
talvez a única,
o arcanjo Gabriel tem que vir outra vez à Terra
para pôr fim a esta confusão,
pode vir com a mesma túnica
e até já pode vir com a palavra impressa,
tem é que pôr fim a esta confusão
Ó arcanjo, ó arcanjo Gabriel,
desce até nós outra vez,
vá lá, nada receies,
se quiseres, desta vez
até podes falar em português
O alvor ainda tardava no deserto
quando se vê uma luz forte e resplandecente
a descer do céu meio encoberto,
até parecia que o sol nascente
estava a nascer antes de nascer
Anunciou-se o arcanjo,
o arcanjo Gabriel,
- sou um mensageiro com asas de anjo
e desci a este bordel
que é o planeta Terra
para repetir a palavra de Javé -
Desta vez quem escutou o arcanjo
foi um guerreiro beduíno,
o arcanjo vestia um manto branco
e falou em árabe clássico,
já tinha esquecido o aramaico
E a palavra de Javé
foi novamente gravada e escrita,
continua a insistir na fé
em um só deus, o único que dá a vida
eterna a partir do dia do juízo final
para quem não se portar mal
E esta mensagem deu bem nas vistas,
mas veio provocar muita confusão:
cruzadas, guerras santas, conquistas,
terror, bombas, mísseis, barbárie, maldição,
e, pelos vistos, não há solução
Mas eu acho que há uma solução,
talvez a única,
o arcanjo Gabriel tem que vir outra vez à Terra
para pôr fim a esta confusão,
pode vir com a mesma túnica
e até já pode vir com a palavra impressa,
tem é que pôr fim a esta confusão
Ó arcanjo, ó arcanjo Gabriel,
desce até nós outra vez,
vá lá, nada receies,
se quiseres, desta vez
até podes falar em português
sábado, 17 de janeiro de 2015
- Momentos de uma viagem -
Helsingør
I'm in Helsingør
and I sing a sad song,
a sad song in the streets of Helsingør
I sing,
but I want to stay a little while longer
in Helsingør,
maybe I will hear
the voice of a ghost
in the harbour,
or coming from the sea
in the wings of a seagull,
telling me
"To be, or not to be,
that is the question..."
Yes,
I will stay a little while longer
in Helsingør,
but do not worry,
nobody is waiting for me
in Helsingborg,
and the North,
the North I want to reach,
the North I want to breathe,
is always there waiting for me
Helsingør
I'm in Helsingør
and I sing a sad song,
a sad song in the streets of Helsingør
I sing,
but I want to stay a little while longer
in Helsingør,
maybe I will hear
the voice of a ghost
in the harbour,
or coming from the sea
in the wings of a seagull,
telling me
"To be, or not to be,
that is the question..."
Yes,
I will stay a little while longer
in Helsingør,
but do not worry,
nobody is waiting for me
in Helsingborg,
and the North,
the North I want to reach,
the North I want to breathe,
is always there waiting for me
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
- Momentos de uma viagem -
Hauptbahnhof
Estou numa estação de comboios na Alemanha,
está sempre um comboio a parar e outro a abalar,
circula muita pressa e muita gente estranha
para mim que não sou de cá, vim só observar
Uma estação de comboios serve para partir
e para chegar, não serve para ficar parado,
assim como eu estou, estático a reflectir,
como se o meu mundo fosse só este estrado
Mas eu sei que os comboios circulam em linhas
feitas de ferro pregadas ao chão que não torce,
são linhas paralelas, contínuas e certinhas
Que aguentam as carruagens e o seu reboque
e servem as estações grandes e pequeninas,
se eu lhes pedir levam-me até Vladivostok
Hauptbahnhof
Estou numa estação de comboios na Alemanha,
está sempre um comboio a parar e outro a abalar,
circula muita pressa e muita gente estranha
para mim que não sou de cá, vim só observar
Uma estação de comboios serve para partir
e para chegar, não serve para ficar parado,
assim como eu estou, estático a reflectir,
como se o meu mundo fosse só este estrado
Mas eu sei que os comboios circulam em linhas
feitas de ferro pregadas ao chão que não torce,
são linhas paralelas, contínuas e certinhas
Que aguentam as carruagens e o seu reboque
e servem as estações grandes e pequeninas,
se eu lhes pedir levam-me até Vladivostok
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