A família Espírito Santo
Andam por aí a dizer
que eu sou da família Espírito Santo,
que me chamo
Vitório Ricci Espírito Santo Rei
e que sou bisneto do avô
que deu origem a tão distinta
família divina
Que ignóbil boato,
só pode ser coisa do diabo,
eu sou Vitório, nome próprio,
e sou Rei porque o meu pai era Rei
e a minha mãe Rainha,
e o que deles herdei
é toda a minha riqueza,
a honestidade e a franqueza
Mas, já sonhei muitas vezes
que era podre de rico,
tinha chauffeur e vários mercedes
dormia em hotéis de cinco estrelas
e privava com espíritos santos
rodeado dos maiores faustos,
o pior era quando acordava,
dava-me o fanico;
por isso, em verdade, em verdade vos digo
e se eu fosse Espírito Santo
já teria fugido
para uma das suas ilhas offshores
onde têm o dinheiro dos credores
- Ficar teso e preso é que não,
jamais,
credo, te renego satanás -
grita, em surdina, o Espírito Santo mais mandão,
e ninguém sabia das trafulhices,
nem os governos, nem os tribunais,
nem os amigos, nem os inimigos;
vão todos bugiar,
que encontrem agora, ao menos,
um Espírito Santo de orelha
e que nos diga toda a verdade
E que se afundem, seus vigaristas divinos,
graças a Deus, não tenho acções vossas,
aliás, não tenho acções de ninguém,
o meu salário não dá para comprar acções,
só dá para praticar boas acções,
pratiquem também vocês agora uma boa acção,
paguem o que devem, seus ladrões
terça-feira, 15 de julho de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
Não chores, Brasil
Ei, vocês aí do Brasil,
seus caras de tristezas mil,
não rezem, não chorem,
revoltem-se antes contra quem
vos vende papas e bolos
e ilusões mascaradas em golos,
em rituais, em preces,
me salve iemanjá, orixá candomblé,
Brasil indígena, Brasil africano,
Brasil mestiço, Brasil branco,
Brasil verde e amarelo,
Brasil de todas as cores,
Brasil arco-íris,
não chores
Ei, vocês aí do Brasil,
seus caras de tristezas mil,
não rezem, não chorem,
revoltem-se antes contra quem
vos vende papas e bolos
e ilusões mascaradas em golos,
em rituais, em preces,
me salve iemanjá, orixá candomblé,
Brasil indígena, Brasil africano,
Brasil mestiço, Brasil branco,
Brasil verde e amarelo,
Brasil de todas as cores,
Brasil arco-íris,
não chores
sábado, 12 de julho de 2014
Debaixo da parreira da dona Maria Emília
Para ir dar um beijo à dona Maria Emília,
tenho que descer o íngreme caminho
que me separa do vale, do Vale da Ceta,
mas quando lá chego, cheira-me logo a simpatia
e a tudo o que me recorda a crueza
da vida de uma pessoa tenaz que subia
o mesmo caminho de bicicleta
carregada de chaputa e de sardinha
para vender bem no cimo da serra
nos tempos em que uma sardinha
era para mais do que um e se berravas
por mais ias pegar logo na forquilha
e tirar o esterco às vacas
para saberes o que custava a vida
E a dona Maria Emília
ainda me dá sardinhas
que eu como debaixo da sua parreira
assadas com toda a perícia
e acompanhadas com salada, batatas e pimentos,
tudo regado com vinho tinto à maneira,
e na companhia da sua família,
sempre alegre, sempre porreira,
tudo uma delícia
Um gosta muito de pimentos,
mas só dos vermelhos,
os verdes provocam-lhe indigestão
e incham-lhe os artelhos
O outro come e bebe de tudo,
e depois de tudo comido e bebido
diz que tudo o que come e bebe
lhe faz mal a tudo, e eu condoído
E eu debaixo daquela parreira
também como e bebo de tudo,
e se não estivesse quase barrigudo
ainda bebia mais da velha bagaceira
E, bem satisfeito,
volto a subir o íngreme caminho
que me leva ao lugar da Perulheira
mas tenho que respirar fundo e encher o peito,
e quando chego ao cimo
imagino como era dura
a vida da dona Maria Emília
que subia o mesmo caminho
de bicicleta carregada de chaputa
e de sardinha
Bem haja dona Maria Emília
Para ir dar um beijo à dona Maria Emília,
tenho que descer o íngreme caminho
que me separa do vale, do Vale da Ceta,
mas quando lá chego, cheira-me logo a simpatia
e a tudo o que me recorda a crueza
da vida de uma pessoa tenaz que subia
o mesmo caminho de bicicleta
carregada de chaputa e de sardinha
para vender bem no cimo da serra
nos tempos em que uma sardinha
era para mais do que um e se berravas
por mais ias pegar logo na forquilha
e tirar o esterco às vacas
para saberes o que custava a vida
E a dona Maria Emília
ainda me dá sardinhas
que eu como debaixo da sua parreira
assadas com toda a perícia
e acompanhadas com salada, batatas e pimentos,
tudo regado com vinho tinto à maneira,
e na companhia da sua família,
sempre alegre, sempre porreira,
tudo uma delícia
Um gosta muito de pimentos,
mas só dos vermelhos,
os verdes provocam-lhe indigestão
e incham-lhe os artelhos
O outro come e bebe de tudo,
e depois de tudo comido e bebido
diz que tudo o que come e bebe
lhe faz mal a tudo, e eu condoído
E eu debaixo daquela parreira
também como e bebo de tudo,
e se não estivesse quase barrigudo
ainda bebia mais da velha bagaceira
E, bem satisfeito,
volto a subir o íngreme caminho
que me leva ao lugar da Perulheira
mas tenho que respirar fundo e encher o peito,
e quando chego ao cimo
imagino como era dura
a vida da dona Maria Emília
que subia o mesmo caminho
de bicicleta carregada de chaputa
e de sardinha
Bem haja dona Maria Emília
sexta-feira, 11 de julho de 2014
O Alcides
Fui à janela e vi o Alcides,
há muito tempo que não o via,
ainda tem aquela cara de curdo,
o cabelo em espinha
e o bigode farfalhudo,
mas o Alcides está mais velho,
vejo como ele caminha,
a cambalear, a coxear,
e tem o ventre proeminente,
pareceu-me que ia a resmungar,
estará doente?
Ó Alcides, Ó Alcides,
não me ouviu, está surdo,
o Alcides, o curdo,
o herdeiro do Conde de Benevides,
como ele dizia,
quando nos juntávamos à noite já tarde
sob a bandeira da anarquia,
jovens a filosofar
e sem dinheiro para pagar o jantar,
meia dose de bife de sola, o prato do dia
Ouve-me, Alcides, ouve-me, Alcides,
e o Alcides desapareceu da minha vista,
foi-se, seguiu a sua vida,
será que ele ainda é anarquista?
será que ele ainda acredita na revolução?
Merda, o nosso tempo passou
e não fizemos a revolução
Fui à janela e vi o Alcides,
há muito tempo que não o via,
ainda tem aquela cara de curdo,
o cabelo em espinha
e o bigode farfalhudo,
mas o Alcides está mais velho,
vejo como ele caminha,
a cambalear, a coxear,
e tem o ventre proeminente,
pareceu-me que ia a resmungar,
estará doente?
Ó Alcides, Ó Alcides,
não me ouviu, está surdo,
o Alcides, o curdo,
o herdeiro do Conde de Benevides,
como ele dizia,
quando nos juntávamos à noite já tarde
sob a bandeira da anarquia,
jovens a filosofar
e sem dinheiro para pagar o jantar,
meia dose de bife de sola, o prato do dia
Ouve-me, Alcides, ouve-me, Alcides,
e o Alcides desapareceu da minha vista,
foi-se, seguiu a sua vida,
será que ele ainda é anarquista?
será que ele ainda acredita na revolução?
Merda, o nosso tempo passou
e não fizemos a revolução
quarta-feira, 9 de julho de 2014
O meu aspirador
Liguei o aspirador,
vrummmmmmmm,
não passa de um bicho robot
e sempre mal disposto,
vrummmmmmmm,
enganei-me no acessório
e aspirei a minha paciência
em vez do pó
da despensa
O meu aspirador
é um corpo com motor,
mas não anda sozinho,
para andar tem que ser puxado,
é só mimo,
e depois tem tubos, escovas, bocais,
filtros, mangueiras, pegas, e tem um saco,
e eu aflito
Vrummmmmmmmm,
e no hall dos quartos, não sei como, enrolei
o meu pé direito no cabo que liga o meu aspirador
à electricidade e dei uma tal pirueta que fiquei
de pernas para o ar em cima do corpo
do meu aspirador e ele sempre a bombar
e eu tombado, vergado, todo torto,
a transpirar, em brasa,
vrummmmmmmmmm,
cala-te seu badameco,
seu tractor de trazer por casa,
não vês o que me fizeste?
Vrummmmmmmmm,
não se calou,
continuou a aspirar os pós
e os pozinhos e os novelos
de cabelos,
e o meu aspirador encheu o saco
de pó e de tudo o que fica de nós
no chão, no soalho
E esvaziei o saco cheio,
mas fi-lo com tanta falta de jeito
que o pó saiu-me do saco
como se fosse fogo-fátuo
e espalhou-se à minha volta
e voltou a voar à solta
e voltou a assentar no meu soalho
que já estava aspirado e lavado
Liguei outra vez o aspirador,
vrummmmmmm,
e ele aspirou outra vez o mesmo pó
que saía em tornado
do corpo do aspirador,
fiquei atónito,
esqueci-me de pôr o saco
Liguei o aspirador,
vrummmmmmmm,
não passa de um bicho robot
e sempre mal disposto,
vrummmmmmmm,
enganei-me no acessório
e aspirei a minha paciência
em vez do pó
da despensa
O meu aspirador
é um corpo com motor,
mas não anda sozinho,
para andar tem que ser puxado,
é só mimo,
e depois tem tubos, escovas, bocais,
filtros, mangueiras, pegas, e tem um saco,
e eu aflito
Vrummmmmmmmm,
e no hall dos quartos, não sei como, enrolei
o meu pé direito no cabo que liga o meu aspirador
à electricidade e dei uma tal pirueta que fiquei
de pernas para o ar em cima do corpo
do meu aspirador e ele sempre a bombar
e eu tombado, vergado, todo torto,
a transpirar, em brasa,
vrummmmmmmmmm,
cala-te seu badameco,
seu tractor de trazer por casa,
não vês o que me fizeste?
Vrummmmmmmmm,
não se calou,
continuou a aspirar os pós
e os pozinhos e os novelos
de cabelos,
e o meu aspirador encheu o saco
de pó e de tudo o que fica de nós
no chão, no soalho
E esvaziei o saco cheio,
mas fi-lo com tanta falta de jeito
que o pó saiu-me do saco
como se fosse fogo-fátuo
e espalhou-se à minha volta
e voltou a voar à solta
e voltou a assentar no meu soalho
que já estava aspirado e lavado
Liguei outra vez o aspirador,
vrummmmmmm,
e ele aspirou outra vez o mesmo pó
que saía em tornado
do corpo do aspirador,
fiquei atónito,
esqueci-me de pôr o saco
domingo, 6 de julho de 2014
Bebemos sangria
Ontem bebemos sangria,
sangria de vinho tinto de uvas pretas,
trincadeiras,
que, por se colorirem de preto
quando amadurecem nas videiras,
deveriam dar vinho preto,
e não vinho apenas tinto,
depois de serem massacradas no lagar
e obrigadas a largar o seu mosto
que dá um néctar muito apreciado
pelos deuses do bom gosto,
o Dionísio e o Baco
E bebemos sangria de vinho tinto
servida com pedaços de fruta fresca,
tudo a borbulhar,
até o próprio recinto
borbulhava de conversas
e de pássaros
que também comiam das travessas
E bebemos sangria,
foi bom, foi simples, foi celestial,
no "Terra", ao Príncipe Real,
em boa companhia
Ontem bebemos sangria,
sangria de vinho tinto de uvas pretas,
trincadeiras,
que, por se colorirem de preto
quando amadurecem nas videiras,
deveriam dar vinho preto,
e não vinho apenas tinto,
depois de serem massacradas no lagar
e obrigadas a largar o seu mosto
que dá um néctar muito apreciado
pelos deuses do bom gosto,
o Dionísio e o Baco
E bebemos sangria de vinho tinto
servida com pedaços de fruta fresca,
tudo a borbulhar,
até o próprio recinto
borbulhava de conversas
e de pássaros
que também comiam das travessas
E bebemos sangria,
foi bom, foi simples, foi celestial,
no "Terra", ao Príncipe Real,
em boa companhia
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Reforma
Reforma, rotina parada,
vou ter que pensar, a sério,
vou tentar saber viver,
ou então não fazer nada
Tédio
Ou então vou tentar preencher
uma alma vazia cheia de medo
Remédio
Deitar, acordar, comer,
deitar, acordar, deitar
Dormir
E um dia morrer
e não mais acordar,
isto é, ou não, para rir?
vá, digam lá ...
Não, não vale a pena chorar
Reforma, rotina parada,
vou ter que pensar, a sério,
vou tentar saber viver,
ou então não fazer nada
Tédio
Ou então vou tentar preencher
uma alma vazia cheia de medo
Remédio
Deitar, acordar, comer,
deitar, acordar, deitar
Dormir
E um dia morrer
e não mais acordar,
isto é, ou não, para rir?
vá, digam lá ...
Não, não vale a pena chorar
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Desesperadamente
Preciso desesperadamente
de ver gente feliz,
gente contente,
gente com esperança,
gente que quis
e que quer ser gente,
gente de trabalho e de dança
Preciso desesperadamente
de voltar à minha criança
e rever os rostos de gente
de então,
rostos carregados de rugas
cor de carvão
e com risos desdentados,
rostos de nenhuma fartança,
rostos secos e desamparados,
mas sempre com muita esperança
Preciso desesperadamente
agora de sentir essa mesma esperança,
preciso de ver gente em paz,
de ver gente sorridente,
de ver gente capaz
de dar cabo de quem mente
Desesperadamente
não quero ver mais desespero,
mais tristeza, mais desalento,
mais angústia, mais medo,
quero ver esperança, quero, quero,
quero desesperadamente
deixar de esperar o que quero
Preciso desesperadamente
de ver gente feliz,
gente contente,
gente com esperança,
gente que quis
e que quer ser gente,
gente de trabalho e de dança
Preciso desesperadamente
de voltar à minha criança
e rever os rostos de gente
de então,
rostos carregados de rugas
cor de carvão
e com risos desdentados,
rostos de nenhuma fartança,
rostos secos e desamparados,
mas sempre com muita esperança
Preciso desesperadamente
agora de sentir essa mesma esperança,
preciso de ver gente em paz,
de ver gente sorridente,
de ver gente capaz
de dar cabo de quem mente
Desesperadamente
não quero ver mais desespero,
mais tristeza, mais desalento,
mais angústia, mais medo,
quero ver esperança, quero, quero,
quero desesperadamente
deixar de esperar o que quero
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Faz hoje anos
Faz hoje anos
que nasceu uma rosa,
toda ela cor,
toda ela mimosa
Essa rosa cresceu,
riu, chorou, teve medo;
cresceu e cimentou as raízes
que a agarram ao tempo
e que definem os seus matizes,
a sua memória,
o seu gene, o seu temperamento,
a sua história
Essa rosa
continua a crescer
e a ter medo, e a rir, e a chorar,
e a ansiar, e a viver,
e a amar
Essa rosa é,
essa rosa vai continuar a ser
Parabéns, filha,
que sejas muito feliz
Faz hoje anos
que nasceu uma rosa,
toda ela cor,
toda ela mimosa
Essa rosa cresceu,
riu, chorou, teve medo;
cresceu e cimentou as raízes
que a agarram ao tempo
e que definem os seus matizes,
a sua memória,
o seu gene, o seu temperamento,
a sua história
Essa rosa
continua a crescer
e a ter medo, e a rir, e a chorar,
e a ansiar, e a viver,
e a amar
Essa rosa é,
essa rosa vai continuar a ser
Parabéns, filha,
que sejas muito feliz
domingo, 29 de junho de 2014
Futebol
Chuta, cruza, passa, defende,
marca, rasteira, canto, golo,
não foi, estava fora de jogo,
fora o árbitro, tá contra a gente
A bola rebola, não é quadrada,
saltita, pula, foge, é fora,
passou a linha, foi embora,
foi por alto, para a bancada
Ó tu aí, estás por quem?
o quê? não és dos nossos?
quebro-te já o nariz, os ossos,
eu e a minha trupe do Borratém
A bola rebola, é esférica,
quem a chuta é profissional,
quem a coseu vive muito mal,
é criança, tem fome, é esquelética
Ai a minha canela, ai o meu joelho,
não posso jogar, não marco golo,
deram-me cabo do artelho,
e acordei com um torcicolo
E o seleccionador não me escolhe,
apesar de ser muito famoso,
mas faço-me de manhoso
e digo-lhe que já não me dói
A bola rebola e é de sola,
agita e lava muito dinheiro,
uns jogam por amor à camisola,
outros para encher o mealheiro
E quem desmaia já não joga,
chuta, cruza, rasteira, golo,
não foi, a bola foi para fora,
ora bolas, mas que desconsolo
Rebola a bola profissional,
mas eu prefiro a bola de trapos
e os chutos dos putos no lamaçal,
felizes, descalços e já craques
Finta, corre, finta, leva a bola
colada aos pés, olha, remata, golo,
a bola entrou mesmo na gaiola,
foi golo no último minuto do jogo
E que o Brasil seja o campeão
do seu campeonato do mundo
de futebol e de muita ilusão
e que acache o seu "mundo imundo"
Que haja samba, bundas e capoeira,
alegria nas favelas e nas avenidas,
nos matos, planaltos e campinas,
"para tudo acabar na quarta-feira"
Chuta, cruza, passa, defende,
marca, rasteira, canto, golo,
não foi, estava fora de jogo,
fora o árbitro, tá contra a gente
A bola rebola, não é quadrada,
saltita, pula, foge, é fora,
passou a linha, foi embora,
foi por alto, para a bancada
Ó tu aí, estás por quem?
o quê? não és dos nossos?
quebro-te já o nariz, os ossos,
eu e a minha trupe do Borratém
A bola rebola, é esférica,
quem a chuta é profissional,
quem a coseu vive muito mal,
é criança, tem fome, é esquelética
Ai a minha canela, ai o meu joelho,
não posso jogar, não marco golo,
deram-me cabo do artelho,
e acordei com um torcicolo
E o seleccionador não me escolhe,
apesar de ser muito famoso,
mas faço-me de manhoso
e digo-lhe que já não me dói
A bola rebola e é de sola,
agita e lava muito dinheiro,
uns jogam por amor à camisola,
outros para encher o mealheiro
E quem desmaia já não joga,
chuta, cruza, rasteira, golo,
não foi, a bola foi para fora,
ora bolas, mas que desconsolo
Rebola a bola profissional,
mas eu prefiro a bola de trapos
e os chutos dos putos no lamaçal,
felizes, descalços e já craques
Finta, corre, finta, leva a bola
colada aos pés, olha, remata, golo,
a bola entrou mesmo na gaiola,
foi golo no último minuto do jogo
E que o Brasil seja o campeão
do seu campeonato do mundo
de futebol e de muita ilusão
e que acache o seu "mundo imundo"
Que haja samba, bundas e capoeira,
alegria nas favelas e nas avenidas,
nos matos, planaltos e campinas,
"para tudo acabar na quarta-feira"
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