Preto no branco
Eu tenho um amigo que é racista,
esperem, ele não defende os arianos puros,
aqueles branquinhos sardentos de olho azul,
até porque ele tem a pele e a vista
da cor dos caucasianos escuros,
daqueles que nascem na Europa do Sul
que são quase da cor dos africanos
que nascem na África do Norte
O que o meu amigo diz
é que não suporta
tanto africano a viver na Europa
- pois eles não são... como se diz...
brancos, como nós; são pretos,
pronto, já disse, são pretos,
cheiram muito a catinga
e devem ficar na terra deles -
Eu tenho um outro amigo
que também é racista
e não gosta que os brancos
vivam na terra dele em África,
diz que cheiram a alpista
e que comem os frangos
sem cachupa ou moamba
Eu explico aos dois que a cor da nossa pele
resulta de um processo de pigmentação
que nos defende do meio ambiente hostil
e que por dentro temos o mesmo coração,
as mesmas células, o mesmo sangue cor de rubi
E digo-lhes também que se os africanos
invadirem agora a Europa
têm o direito de fazer aos brancos
o mesmo que estes lhes fizeram outrora,
há cerca de quatrocentos anos
(os africanos foram conduzidos ao som do tambor
para navios de carga, onde foram embarcados
como carga geral com destino à América,
nem sequer tinham espaço para chorar, para aliviar a dor,
eram apenas escravos contados à tonelada,
sem terem direito, pelo menos, a uma expressão numérica)
Mas não se vai repetir a História,
e por uma simples razão:
os brancos europeus já não se dedicam à sua reprodução
e, pelo andar da carruagem, daqui a quatrocentos anos
serão uma minoria, ou estarão mesmo em vias de extinção
E descansem que eu não descubro
mais amigos para esta história,
poderia arranjar um amarelo, um rubro,
um rosa albino ou um feito de mixórdia,
mas não, fico-me apenas por um preto e um branco,
assim mesmo, preto no branco
terça-feira, 29 de abril de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
A minha alvorada
Há precisamente quarenta anos,
morava em Lisboa, na Avenida João Crisóstomo,
num quarto com vista para o Quartel-General,
cama, mesa e roupa lavada, tudo óptimo,
uma casa de banho para catorze,
onde é que está o mal?
No meu quarto dormiam mais dois,
e mesmo que eu me metesse todo
debaixo dos meus lençóis,
quase não conseguia dormir,
porque um deles passava a noite toda
de luz acesa a ler livros de cowboys
e a roer grossas maçãs de engorda
Na dita madrugada
acordei com a dona da casa a gritar
- eles querem a guerra, mas Deus não a quer -
(era Testemunha de Jeová)
e quando espreitei pela janela do meu quarto
vislumbrei vários carros de combate,
uns de rastos de pneus e outros de lagarta,
e eu, que simpatizava
com a Resistência Popular Anti-Colonial,
pensei logo que a guerra colonial
tinha alastrado à Metrópole
e que ia ser já mobilizado, não para Angola,
mas para atacar o Quartel-General,
e o que se passou a seguir já não é desta história,
porque já é História
--------------------------
Viva o 25 de Abril
Há precisamente quarenta anos,
morava em Lisboa, na Avenida João Crisóstomo,
num quarto com vista para o Quartel-General,
cama, mesa e roupa lavada, tudo óptimo,
uma casa de banho para catorze,
onde é que está o mal?
No meu quarto dormiam mais dois,
e mesmo que eu me metesse todo
debaixo dos meus lençóis,
quase não conseguia dormir,
porque um deles passava a noite toda
de luz acesa a ler livros de cowboys
e a roer grossas maçãs de engorda
Na dita madrugada
acordei com a dona da casa a gritar
- eles querem a guerra, mas Deus não a quer -
(era Testemunha de Jeová)
e quando espreitei pela janela do meu quarto
vislumbrei vários carros de combate,
uns de rastos de pneus e outros de lagarta,
e eu, que simpatizava
com a Resistência Popular Anti-Colonial,
pensei logo que a guerra colonial
tinha alastrado à Metrópole
e que ia ser já mobilizado, não para Angola,
mas para atacar o Quartel-General,
e o que se passou a seguir já não é desta história,
porque já é História
--------------------------
Viva o 25 de Abril
quinta-feira, 24 de abril de 2014
O Barroso, o Durão, outra vez, não
Eh pá não voltes, o Zé já não te quer,
fica onde estás, que te aturem por aí,
fica no PE ou na REPER,
ou então descobre um novo PI,
dá conferências como fazem
o Bush júnior, o Blair, ou o Aznar,
os teus amigos a quem serviste café
(eles estavam sentados vestidos de fraque
a planear a invasão do Iraque,
e tu de avental e de pé
para lhes servires o café,
apenas para isso,
como um tuga submisso
a quem é mais importante,
foi tão tão humilhante)
Eh pá não voltes, ou se voltares fica calado,
a gente não se esquece que já tinhas tudo embalado
para ires para a Bruxelas Capital,
quando negavas a pé juntos
que não ias abandonar o Governo de Portugal
E foste, sabemos que foste,
e deixaste-nos entregues ao teu amigo
do tempo da FD de Lisboa,
o tal do MID, quando tu eras o tal da FEM-L,
mas que acabaram os dois por se converterem
ao PPD e ao ideal da social democracia,
que virou liberalismo tipo Milton Friedman,
que virou azia
E o que é que o teu amigo fez no Governo?
Fez o que esperavas,
só borradas,
e assim o convenceste que, afinal,
ele não era melhor que tu,
e com isso comprometeste Portugal
E o que é que tu fizeste
na CE por Portugal?
Nada que não tenhas feito
pelos outros EM, bem ou mal,
e se fizesses algo de especial
a Portugal,
tinhas logo que o desfazer,
ou eras demitido de Presidente da CE
por violação do dever de ...
(óóó ... esqueci-me do nome desse dever)
Eh pá não voltes, o Zé já não te quer,
fica onde estás, que te aturem por aí,
fica no PE ou na REPER,
ou então descobre um novo PI,
dá conferências como fazem
o Bush júnior, o Blair, ou o Aznar,
os teus amigos a quem serviste café
(eles estavam sentados vestidos de fraque
a planear a invasão do Iraque,
e tu de avental e de pé
para lhes servires o café,
apenas para isso,
como um tuga submisso
a quem é mais importante,
foi tão tão humilhante)
Eh pá não voltes, ou se voltares fica calado,
a gente não se esquece que já tinhas tudo embalado
para ires para a Bruxelas Capital,
quando negavas a pé juntos
que não ias abandonar o Governo de Portugal
E foste, sabemos que foste,
e deixaste-nos entregues ao teu amigo
do tempo da FD de Lisboa,
o tal do MID, quando tu eras o tal da FEM-L,
mas que acabaram os dois por se converterem
ao PPD e ao ideal da social democracia,
que virou liberalismo tipo Milton Friedman,
que virou azia
E o que é que o teu amigo fez no Governo?
Fez o que esperavas,
só borradas,
e assim o convenceste que, afinal,
ele não era melhor que tu,
e com isso comprometeste Portugal
E o que é que tu fizeste
na CE por Portugal?
Nada que não tenhas feito
pelos outros EM, bem ou mal,
e se fizesses algo de especial
a Portugal,
tinhas logo que o desfazer,
ou eras demitido de Presidente da CE
por violação do dever de ...
(óóó ... esqueci-me do nome desse dever)
terça-feira, 22 de abril de 2014
Eles dormem de noite na calçada
Digam-me, se souberem,
por que razão se chama noite
àquela parte do dia
em que o sol se esconde
lá para os lados do poente
e ficamos sem o seu brilho
Mas ainda bem que a noite escura
nem sempre dura,
porque o dia volta de novo
quando o sol se levanta pleno de vigor
e espalha os seus raios de luz e de calor,
iluminando e aquecendo a parte do dia
que não se chama noite
E então vivemos mais um dia
em reboliço, com azáfama,
até que o sol volte a partir
e apague a sua chama
para que não se saiba onde vai dormir
E volta a noite
e outra vez a escuridão,
e ouvem-se vozes desencontradas
de corpos vazios cheios de solidão
que encontram sonhos nas calçadas
e que têm trapos de cartão como lençol,
dormem assim, no chão, enroscados
e quando amanhece já estão acordados,
o seu despertador foi a luz do sol
Eles dormem de noite na calçada,
na calçada é mais fácil dormir de noite,
se dormirem aí de dia, correm mais perigo
de ficar sem o seu cantinho, sem o seu abrigo,
porque nos choca mais olhar em plena luz do dia
para o seu corpo assim deitado e embrulhado,
porque é uma imagem mais nítida da miséria
e que denuncia, sem rodeios, a nossa hipocrisia
enquanto membros de uma sociedade dita solidária,
por isso eles preferem dormir de noite na calçada,
porque escondem melhor o seu corpo, o seu olhar,
a sua aflição, a sua desgraça
Mas eles aguentam, eles sobrevivem,
eles não se queixam,
talvez porque a noite os ajuda
a transformarem-se em vultos,
em fantasmas, em sombras da lua,
em intocáveis, em impolutos,
em imateriais, em nadas,
talvez porque sonham que têm asas
e que levantam voo para um vazio
cheio de conforto, cheio de paz,
e enquanto sonham não sentem o frio,
a chuva, ou as dores das ressacas,
será que eles não têm medo de acordar?
Digam-me, se souberem,
por que razão se chama noite
àquela parte do dia
em que o sol se esconde
lá para os lados do poente
e ficamos sem o seu brilho
Mas ainda bem que a noite escura
nem sempre dura,
porque o dia volta de novo
quando o sol se levanta pleno de vigor
e espalha os seus raios de luz e de calor,
iluminando e aquecendo a parte do dia
que não se chama noite
E então vivemos mais um dia
em reboliço, com azáfama,
até que o sol volte a partir
e apague a sua chama
para que não se saiba onde vai dormir
E volta a noite
e outra vez a escuridão,
e ouvem-se vozes desencontradas
de corpos vazios cheios de solidão
que encontram sonhos nas calçadas
e que têm trapos de cartão como lençol,
dormem assim, no chão, enroscados
e quando amanhece já estão acordados,
o seu despertador foi a luz do sol
Eles dormem de noite na calçada,
na calçada é mais fácil dormir de noite,
se dormirem aí de dia, correm mais perigo
de ficar sem o seu cantinho, sem o seu abrigo,
porque nos choca mais olhar em plena luz do dia
para o seu corpo assim deitado e embrulhado,
porque é uma imagem mais nítida da miséria
e que denuncia, sem rodeios, a nossa hipocrisia
enquanto membros de uma sociedade dita solidária,
por isso eles preferem dormir de noite na calçada,
porque escondem melhor o seu corpo, o seu olhar,
a sua aflição, a sua desgraça
Mas eles aguentam, eles sobrevivem,
eles não se queixam,
talvez porque a noite os ajuda
a transformarem-se em vultos,
em fantasmas, em sombras da lua,
em intocáveis, em impolutos,
em imateriais, em nadas,
talvez porque sonham que têm asas
e que levantam voo para um vazio
cheio de conforto, cheio de paz,
e enquanto sonham não sentem o frio,
a chuva, ou as dores das ressacas,
será que eles não têm medo de acordar?
domingo, 20 de abril de 2014
A Igreja
Envolvida de brancura,
caixinha pequena,
pedaço de ouro,
hóstia pura,
imagem serena
Paredes rústicas,
vitrais românticos,
torres imóveis,
ouvem-se cânticos
entoados por jovens
Assembleia viva,
o Senhor é louvado,
Igreja activa,
ressuscitou Jesus,
povo saciado
Almas caridosas,
pobres socorridos,
pessoas com fé
e muito piedosas,
viva Jesus de Nazaré
-------------------------------
Escrito na Perulheira, em 1971 (tenho saudades da minha fase mística)
Páscoa feliz para todos
Envolvida de brancura,
caixinha pequena,
pedaço de ouro,
hóstia pura,
imagem serena
Paredes rústicas,
vitrais românticos,
torres imóveis,
ouvem-se cânticos
entoados por jovens
Assembleia viva,
o Senhor é louvado,
Igreja activa,
ressuscitou Jesus,
povo saciado
Almas caridosas,
pobres socorridos,
pessoas com fé
e muito piedosas,
viva Jesus de Nazaré
-------------------------------
Escrito na Perulheira, em 1971 (tenho saudades da minha fase mística)
Páscoa feliz para todos
sábado, 19 de abril de 2014
A pulseira do Lima
Sempre quis ter uma pulseira
de ouro puro, bem grossa, bem pesada,
sempre a luzir a sua cor dourada,
seria uma rica braçadeira
Mas nunca tive uma pulseira,
nem de ouro, nem de lata,
nem sequer uma coleira
feita de restos de sucata
Agora andam a oferecer
pulseiras electrónicas
feitas de aço a ferver
que emitem ondas ultra-sónicas
O Lima tinha uma dessas
(mas que inveja a minha)
que emitia os sons das suas preces
quando orava à sua santinha
E com tanta choradeira
- sou inocente, não roubei dinheiro,
não matei a Rosalina Ribeiro -
tiraram ao Lima a sua pulseira
Coitado, ficou sem uma pulseira,
mas não não tenham dó dele,
do Lima, o Duarte,
ele tem mais pulseiras
e obras de arte
e jóias milionárias
e propriedades
e outras riquezas várias
E mais palavras para quê,
é mais um rico político português
do grupo cavaquístico
que teve muita sorte nos negócios que fez,
e, para além disso,
também não faria muito sucesso
cumprimentar o seu xeique
com uma humilde pulseira de pechisbeque
Sempre quis ter uma pulseira
de ouro puro, bem grossa, bem pesada,
sempre a luzir a sua cor dourada,
seria uma rica braçadeira
Mas nunca tive uma pulseira,
nem de ouro, nem de lata,
nem sequer uma coleira
feita de restos de sucata
Agora andam a oferecer
pulseiras electrónicas
feitas de aço a ferver
que emitem ondas ultra-sónicas
O Lima tinha uma dessas
(mas que inveja a minha)
que emitia os sons das suas preces
quando orava à sua santinha
E com tanta choradeira
- sou inocente, não roubei dinheiro,
não matei a Rosalina Ribeiro -
tiraram ao Lima a sua pulseira
Coitado, ficou sem uma pulseira,
mas não não tenham dó dele,
do Lima, o Duarte,
ele tem mais pulseiras
e obras de arte
e jóias milionárias
e propriedades
e outras riquezas várias
E mais palavras para quê,
é mais um rico político português
do grupo cavaquístico
que teve muita sorte nos negócios que fez,
e, para além disso,
também não faria muito sucesso
cumprimentar o seu xeique
com uma humilde pulseira de pechisbeque
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O sítio das penas do talho da cova
São penas porque são rochas, penedos,
mas também são penas porque são tristezas,
lamúrias, medos.
A cova é o vale, a depressão,
mas também é o buraco onde cabem corpos
embalados em credos.
A morte não ocupa espaço,
é um simples rectângulo
da superfície às profundezas,
e, rodeada de cedros,
desfaz-se.
Ah!, mas a vida,
essa sim, ocupa espaço e tempo,
é imensa.
Nasce, cresce, rodopia, voa, emerge,
submerge, respira, ri, chora,
come, mata , defeca,
ejacula,
e ama, e odeia, e pensa,
e discute, e peca.
E, por fim,
um pequeno rectângulo
e um corpo
embalado em credos
e rodeado de cedros,
desfaz-se.
São penas porque são rochas, penedos,
mas também são penas porque são tristezas,
lamúrias, medos.
A cova é o vale, a depressão,
mas também é o buraco onde cabem corpos
embalados em credos.
A morte não ocupa espaço,
é um simples rectângulo
da superfície às profundezas,
e, rodeada de cedros,
desfaz-se.
Ah!, mas a vida,
essa sim, ocupa espaço e tempo,
é imensa.
Nasce, cresce, rodopia, voa, emerge,
submerge, respira, ri, chora,
come, mata , defeca,
ejacula,
e ama, e odeia, e pensa,
e discute, e peca.
E, por fim,
um pequeno rectângulo
e um corpo
embalado em credos
e rodeado de cedros,
desfaz-se.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
O fim
Deixa pousar o meu cansaço
no teu regaço
e deixa que te ofereça um ramo de flores
com cheiros de primavera
que apaziguam as tuas dores
e purificam a atmosfera
com tonificantes odores
Também podes pousar o teu cansaço
no meu regaço,
mas não me ofereças flores,
fala-me antes de esperança
e não desistas, não chores,
não te lamentes de já não dançares
aquela que era a nossa dança
Os dois pousamos o cansaço
e os dois voltamos a cansar-nos,
mais um passo, mais um passo,
já está, já chegámos, conseguimos,
descansa outra vez no meu regaço
e daremos sempre mais um passo
até chegarmos ao fim
do nosso derradeiro cansaço
Deixa pousar o meu cansaço
no teu regaço
e deixa que te ofereça um ramo de flores
com cheiros de primavera
que apaziguam as tuas dores
e purificam a atmosfera
com tonificantes odores
Também podes pousar o teu cansaço
no meu regaço,
mas não me ofereças flores,
fala-me antes de esperança
e não desistas, não chores,
não te lamentes de já não dançares
aquela que era a nossa dança
Os dois pousamos o cansaço
e os dois voltamos a cansar-nos,
mais um passo, mais um passo,
já está, já chegámos, conseguimos,
descansa outra vez no meu regaço
e daremos sempre mais um passo
até chegarmos ao fim
do nosso derradeiro cansaço
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Estou confuso
Venho de um tempo confuso
e permaneço num tempo confuso,
o passado e o presente,
e quando julgo que já cheguei ao futuro,
dizem-me que estou no presente,
que ao futuro ninguém pertence,
está sempre um passo à frente
do presente
Continuo, pois, confuso
com o passado e o presente
e não posso esclarecer-me
com o futuro,
porque se não passo deste andamento,
nunca chego ao futuro
Mas se assim é,
porque lutamos por um futuro melhor
do que o presente,
se nunca chegamos ao futuro?
Ah! já percebi:
do nosso tempo
só dispomos do passado e do presente
e quem nos promete um futuro melhor
sabe perfeitamente
que esse futuro melhor devia ser agora,
o nosso presente
Venho de um tempo confuso
e permaneço num tempo confuso,
o passado e o presente,
e quando julgo que já cheguei ao futuro,
dizem-me que estou no presente,
que ao futuro ninguém pertence,
está sempre um passo à frente
do presente
Continuo, pois, confuso
com o passado e o presente
e não posso esclarecer-me
com o futuro,
porque se não passo deste andamento,
nunca chego ao futuro
Mas se assim é,
porque lutamos por um futuro melhor
do que o presente,
se nunca chegamos ao futuro?
Ah! já percebi:
do nosso tempo
só dispomos do passado e do presente
e quem nos promete um futuro melhor
sabe perfeitamente
que esse futuro melhor devia ser agora,
o nosso presente
sábado, 12 de abril de 2014
São doidos, doidos, doidos
Peço-vos encarecidamente,
não me atentem hoje,
estou virado do avesso,
estou indigente,
estou trouxe-mouxe,
estou desesperadamente burgesso,
é que estão a cair-me em cima
vapores tóxicos solidificados
soprados por ventos agrestes
que trazem imagens de guerras cruéis
em muitas partes do mundo
Não entendo os homens,
fazem as guerras, estropiam-se,
destroem, incendeiam, matam-se,
e depois de tudo acabado
divertem-se a escrever e a estudar
o que fizeram, o que estragaram,
dizem que é História
(de facto, a História pouco mais é do que relatos
de guerras sucessivas entre conquistadores
e conquistados),
mas eu acho que eles são é doidos, doidos, doidos,
e o pior é que se esquecem
e voltam a fazer o mesmo,
são doidos, doidos, doidos
Por isso, quero fugir das notícias,
não desejo presenciar a História
agora,
quero antes ver as borboletas
e o seu voo colorido,
que belas,
devem ser muito felizes,
gostava de ser como elas,
quero antes ver os melros,
o melro é um pássaro belo,
veste de preto
e tem o bico amarelo,
esconde-se nos silvados
e não nos diz onde tem o ninho
que faz com "mil cuidados",
canta sempre que levanta voo,
e que bem que canta o melro,
o melro é um pássaro bom
E porque não desejo presenciar a História agora,
quero fugir
das notícias que mostram quem chora
por causa da loucura dos homens,
dos seus caprichos, dos seus devaneios,
quero fugir
das imagens dos voos dos bombardeiros,
essas sinistras aves pretas,
vou antes para o campo ver o voo dos melros
e das borboletas
e aguardar a vinda dos gnomos
que costumam aparecer nos meus sonhos
Peço-vos encarecidamente,
não me atentem hoje,
estou virado do avesso,
estou indigente,
estou trouxe-mouxe,
estou desesperadamente burgesso,
é que estão a cair-me em cima
vapores tóxicos solidificados
soprados por ventos agrestes
que trazem imagens de guerras cruéis
em muitas partes do mundo
Não entendo os homens,
fazem as guerras, estropiam-se,
destroem, incendeiam, matam-se,
e depois de tudo acabado
divertem-se a escrever e a estudar
o que fizeram, o que estragaram,
dizem que é História
(de facto, a História pouco mais é do que relatos
de guerras sucessivas entre conquistadores
e conquistados),
mas eu acho que eles são é doidos, doidos, doidos,
e o pior é que se esquecem
e voltam a fazer o mesmo,
são doidos, doidos, doidos
Por isso, quero fugir das notícias,
não desejo presenciar a História
agora,
quero antes ver as borboletas
e o seu voo colorido,
que belas,
devem ser muito felizes,
gostava de ser como elas,
quero antes ver os melros,
o melro é um pássaro belo,
veste de preto
e tem o bico amarelo,
esconde-se nos silvados
e não nos diz onde tem o ninho
que faz com "mil cuidados",
canta sempre que levanta voo,
e que bem que canta o melro,
o melro é um pássaro bom
E porque não desejo presenciar a História agora,
quero fugir
das notícias que mostram quem chora
por causa da loucura dos homens,
dos seus caprichos, dos seus devaneios,
quero fugir
das imagens dos voos dos bombardeiros,
essas sinistras aves pretas,
vou antes para o campo ver o voo dos melros
e das borboletas
e aguardar a vinda dos gnomos
que costumam aparecer nos meus sonhos
Subscrever:
Mensagens (Atom)